Nunca aos domingos

Esses meus momentos duram pouco, mas ando feliz. Permito-me estar alegre, como nos comerciais de margarina que vejo na tevê.

Ela não apela para a trocada de pernas no momento exato, a mexida no cabelo proposital, o riso estriônico e forçado das minhas piadas sem graça… Tais coisas são apenas ilusões, assim como cirurgia de reconstituição do hímen, Socialismo e cerveja sem álcool.

São por seus trejeitos inconscientes que a amo.

Seu rosto inchado com os olhos puxadinhos, entreabertos, pela manhã, pedindo para eu deitar mais um pouco.

É lamber o cabelo como os gatos, passando e repassando as mãos entre eles, sentada como um índio na beira da cama.

A letra do recado deixado na mesa. Suas formas harmônicas, redondas. A leveza da escrita, que não marca o outro lado da folha…

O cheiro do pós-banho. Antes de passar creme nas pernas e no cabelo, ressalte-se.

É como dorme com as subidas e descidas do meu peito enquanto respiro.

Ou vestida com minha camisa de vereador e samba-canção, vendo Revolver – aquele filme do marido da Madonna –  ao meu lado, num domingo chuvoso em um hotel com o H caído…

Comerciais acabam em 30 segundos. Alguns outros, em 15. Eu lhe tive por 1 hora hoje.

“Foram 200 reais” – Disse, enquanto colocava a meia calça.

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