Alice no país dos espelhos

O rapaz entrou no ônibus cheio, quente, às 6 da tarde. Sentou-se no chão e tirou do casaco uma lata de tíner. Abriu-a e a despejou na camisa. Começou a baforar, a sugar vida. O cheiro deixa o ar pesado, rançoso. As pessoas, enjoadas e com medo, saem de perto dele, todas vão para frente da lotação. Sua tática deu certo. Ele consegue sentar na cadeira acolchoada, na janela, e, melhor de tudo, sem ninguém por perto. Um senhor o observa com auto piedade. O velho foi um filho da puta a vida toda e agora pensa que seus cabelos brancos lhe conferem uma aura de bondade. O rapaz não vai ceder o seu lugar. Porque eu nunca pensei nisso antes?

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