Alice no país dos espelhos

O rapaz entrou no ônibus cheio, quente, às 6 da tarde. Sentou-se no chão e tirou do casaco uma lata de tíner. Abriu-a e a despejou na camisa. Começou a baforar, a sugar vida; não muito diferente de como eu fazia há 10 anos. O cheiro deixa o ar pesado, rançoso. As pessoas, enjoadas e com medo, saem de perto dele, todas vão para frente da lotação. Sua tática deu certo. Ele consegue sentar na cadeira acolchoada, na janela, e, melhor de tudo, sem ninguém por perto. Um senhor o observa com auto piedade. Ele ri de canto de boca. O velho foi um filho da puta a vida toda e agora pensa que seus cabelos brancos lhe conferem uma aura de bondade. O rapaz não vai ceder o seu lugar. Porque eu nunca pensei nisso antes?

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