meditações em situações de emergência

… desconhecem o ínicio da Criação. Nascem do meio das pernas de uma mulher, envoltos em fluídos e excrementos que ela não segurou durante o parto e a chamam de mãe. No meio, muitos permanecem adormecidos, anestesiados pela Vênus do Varejo. No final, eles têm medo de ouvir a voz daquela que os chama para atravessar o outro lado. O céu deixa de ter significado, se o inferno não existe.

Não entendem o infinito e a falta de palavras para expressar uma realidade sem gramática causa-lhes angústia, que é devidamente aquietada com sêmen desperdiçado em vazias mulheres anencéfalas e uísque barato, além de religiões-aspirinas e filhos-expectativa, que, se bem tratados, futuramente os colocarão em ótimos asilos com roupas brancas. Políticos vampiros contam histórias de Noé, e querem que eles acreditem, literalmente/literariamente, passivamente.

 – Seu filho da puta! Tu tem dinheiro pra cheirar, mas pra me levar pro Motel não? Seu bosta!

Do outro lado da rua, ela grita. O homem baixo fecha suas mãos e cinco dedos enchem a cara da menina.

Observo. E moedas caem no meu chapéu.

– Oh, obrigado. Deus lhe pague.

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