Diário dos Sonhos feat. Oneiros

Pesquisa: anotar meus sonhos. Justificativa: eles são poucos e raros. Metodologia: assim que acordar, se houver algum vestígio na memória, registrar no celular.

1

Na auto estrada o Sol parece uma grande bola laranja-fruta, é fim de tarde. Estou em um motel americano com meu primeiro amor, uma guria baixinha, quase japonesa. Fecho a porta e enxergo apenas em preto e branco. Conversamos, mas não há som. Tenho a impressão que de um controle remoto alguém apertou o “mute”. Ela está sobre a cama, com as pernas cruzadas de índio e com os olhos molhados – um adeus permanente naquela vida.

2

Parado na frente de uma casa de muros baixos que chegam nas canelas. De dentro dela exala um cheiro de comida caseira. Por uma fresta da janela da cozinha, vejo uma mulher familiar. Ela está cozinhando e ruminando uma canção. Seu rosto não possui forma. Sinto um enorme amor por ela, por aquela casa e pelos cheiros dos temperos. Seu rosto sem olhos, nariz, boca e orelhas parece feliz.

3

Acordo dentro do meu próprio sonho, consciente. Não sei como obtive essa certeza. Sinto-me presente no presente; a realidade beija a pele. Vejo diversas lojas. Uma delas –  uma farmácia – chama a atenção pelo letreiro piscante. Ao contemplá-la, vejo um amigo em sua porta, vociferando: “Cu não tem sexo!” “Cu não tem sexo!” enquanto come o rabo e bate uma punheta sem culpa para um travesti.

 

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