Diário dos Sonhos. Escrito por mim mesmo. Participação especial – Oneiros.

Pesquisa: anotar meus sonhos. Justificativa: eles são poucos e raros: na maioria das vezes eu simplesmente desabo na cama e só retorno à vida ao som do despertador. Metodologia: assim que acordar, se houver algum vestígio de sonho na memória, registrar no celular.

1

Na auto estrada o Sol parece uma grande bola laranja-fruta, é fim de tarde. Estou em um motel americano com o meu primeiro amor, uma guria baixinha, quase japonesa. Fecho a porta e enxergo apenas em preto e branco. Conversamos, mas não há nenhum som. Tenho a impressão que de um controle remoto alguém apertou o “mute”. Ela está sobre a cama, com as pernas cruzadas de índio e com os olhos molhados – um adeus permanente naquela vida.

2

Estou parado na frente de uma casa de muros baixos, que chegam nas minhas canelas. De dentro dela exala um cheiro de comida caseira. Por uma fresta da janela da cozinha, vejo uma mulher familiar. Ela está cozinhando e tentando cantarolar (parece ruminar uma canção). Seu rosto não possui forma. Sinto um enorme amor por ela, por aquela casa e pelos cheiros dos temperos. Seu rosto sem olhos, nariz, boca e orelhas parece feliz.

3

No corredor de casa ouço o barulho do chuveiro. Pela hora, sabia que era meu pai que estava no banho, pois sempre que chegava do trabalho – no fim de um dia abafado em Santos – ele tirava suas roupas e tomava uma ducha. Cambaleante, apoio-me nas paredes do corredor, em passos tortos até a cozinha. Ali, encontro minha esposa lavando a louça despreocupadamente. Atrás de mim, meu pai sai do banho, com uma toalha enrolada na cintura. Nesse momento, Clara nota minha presença e me encara com os olhos tristes. Eles sussurram: “O que você está fazendo aqui?” Observo os dois e tenho a percepção que invadi o lar de um casal.

4

Acordo dentro do meu próprio sonho, consciente. Não sei como obtive essa certeza. Sinto-me presente no presente, em uma realidade que me beija a pele. Estou embaixo de um viaduto e um pouco assustado, mas procuro manter a calma e me ponho a andar pela rua. Vejo diversas lojas. O que me chama a atenção é um letreiro piscante da farmácia. Ao contemplá-la, vejo um amigo ao lado dela, vociferando: “Cu não tem sexo!” “Cu não tem sexo!” enquanto come e masturba na rua um travesti sem culpa.

 

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