não sou conduzido, conduzo

“Ain, vem trabalhar em São Paulo” um amigo diz.

“Pra quê, caralho? O Piva já disse que SP é uma grande caixa registradora decadente, uma necrópole composta de prédios-obeliscos-penianos onde o discurso corporativo faz parte do sotaque Boça-anasalado e está entranhado num imaginário coletivo que transformam pessoas em empresas

E

elas a-do-ram palavras em inglês como mindset, ASAP, fazer um call e fotos de ternos barra braços cruzados no LinkedIn que as dão um senso de pertencimento,

E não venha meter uma de Kennedy e dizer – não pergunte o que sua cidade faz por você e sim o que você faz por ela – 

eu te/me pergunto

o que

O QUE

ela tem a te/me oferecer?

fora shoppings, maconha bosta de cavalo prensada pelo PCC, Borba Gato e vaidade em restaurantes e bares – tire todo o entretenimento

o que sobra de São Paulo?

Anestesiado, você esquece o quanto ela esmaga seu espírito 

e começa a achar maravilhoso

pedalar em bicicletas do Itaú respirando uma neblina de merda

ao lado duma vala que chamam de rio.”

“Ah cara, muito longe…” respondi.

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